COMUNICAÇÃO
TORNA EMPRESAS COMPETITIVAS
Por Kátia Cubel
Especial para o Site Engenho
Qual a importância da Comunicação
Empresarial nas organizações?
Hoje, mais do que nunca, as empresas precisam assegurar que
suas atividades industriais, de negócios e financeiras,
sejam transparentes. E, assim, contar com o consentimento
da sociedade civil e as entidades que a compõem, tais
como agências reguladoras, mercados capitais, funcionários,
vizinhos, ONGs e outros. Nós costumamos dizer que as
empresas e seus projetos só avançam se contam
com o apoio, ou consentimento, desses grupos, muitas vezes
chamados de "stakeholders", que no pior caso poderão
obstruir a ação da empresa. E, no melhor, apoiá-la.
A comunicação e diálogo construtivos
permitem neutralizar problemas e gerar coligações
e alianças benéficas.
Quais as principais ferramentas de Comunicação
que uma empresa deve adotar?
Antes de se apoiar em ferramentas, uma empresa precisa construir
uma cultura de transparência e comunicação.
Todas as ferramentas no mundo são inúteis em
uma empresa cuja cultura é fechada e pouco transparente.
Assegurar que a liderança da empresa acredita que a
transparência e comunicação irão
apoiar o sucesso da empresa é o primeiro passo. Depois,
poderá falar de ferramentas como comunicação
interna, inter e intranets, eventos, assessoria de imprensa,
relações governamentais e regulatórias,
etc.
O relacionamento com a Imprensa é mais estratégico
que outras ferramentas, na Comunicação Empresarial?
Existe uma "hierarquia"?
Eu diria que o relacionamento com a imprensa é importante,
mas não mais que outros. Comunicar uma realidade à
imprensa que não seja consistente com a realidade da
empresa, ou com a comunicação aos funcionários,
é construir sobre areia. Não vai dar certo,
a médio prazo. Portanto, eu diria que a comunicação
precisa enxergar todos os públicos e se comunicar com
eles, tanto diretamente quanto através da imprensa.
Quanto à hierarquia, acredito que em alguns momentos
uma empresa poderá ter distintas prioridades, que são
ajustadas segundo o momento e situação. Mas,
isto é mutável e não seria correto falar
de uma hierarquia, que implica em algo rígido e estático.
Quais as diferenças entre o Brasil e Estados
Unidos, no quesito investimento em Comunicação
nas organizações?
As empresas, no Brasil, estão reconhecendo que é
importante contar com programas de comunicação
sólidos e com profissionais, sejam internos ou externos
à empresa, para planejá-los e executá-los.
Os recursos estão cada vez maiores. Mesmo assim, o
mercado está longe dos níveis de investimento
realizados nos Estados Unidos e na Europa.
O empresário brasileiro tem cultura de comunicação?
Cada vez mais. Quem não tem, terá que aprender,
ou correr o risco de ficar menos competitivo. Empresas com
fortes culturas de comunicação contam com funcionários
mais motivados, maior poder de recrutamento e retenção
de executivos, maior credibilidade ante agências regulatórias
e governo, maior credibilidade ante instituições
do setor financeiro e melhores termos de crédito ou
captação de recursos. Pesquisas também
mostram que o consumidor, hoje, procura não só
bons produtos, mas empresas com atitudes corretas. Todo bom
executivo procura maximizar as suas vantagens competitivas.
A comunicação e a transparência são
dois recursos que precisam ser alavancados.
Quais são as áreas da Comunicação
com possibilidades de expansão?
As áreas de relações governamentais,
comunicação financeira e construção
de marca no exterior são três áreas que
apresentam boas perspectivas.
Quais as diferenças entre as empresas de Comunicação
brasileiras e multinacionais, como a que o sr. representa?
Não posso falar dos meus concorrentes, pois cada um
tem um posicionamento e características próprias.
Quanto à Burson-Marsteller, conseguimos combinar 28
anos de atuação no Brasil com conhecimento profundo
da comunicação corporativa nos quase 50 países
onde atuamos. Nossa organização é estruturada
por áreas de especialização, que nós
chamamos de práticas. Essa estrutura assegura que pesquisa,
cases e "best practices" sejam compartilhadas com
colegas no mundo inteiro. Isso permite desenvolver serviços
à base de conhecimentos internacionais e sólida
atuação local.
Qual a diferença entre assessoria de imprensa
e relações públicas?
A terminologia de nossa atividade é realmente confusa.
Eu não presto muita atenção no debate
entre assessoria de imprensa e relações públicas,
como acontece entre sindicatos das diferentes classes. Nossa
experiência mostra que os clientes recebem soluções
efetivas quando uma série de ferramentas são
aplicadas. Assessoria de imprensa é uma ferramenta
importantíssima, mas não é uma solução
completa. Portanto, fornecer soluções de comunicação
integrada é nossa prioridade, e a assessoria de imprensa
figura entre elas.
Por que o lobby no Brasil ainda é marginalizado?
Porque na esfera política, como em muitas outras no
Brasil, existem simultaneamente sistemas ligados ao passado
e ao futuro. Existem relações e formas de representação
transparentes, ao lado de formas retrógradas. Nesse
ambiente, é mais difícil desenvolver um sistema
de representação de interesses transparente
com a qual o "lobby" moderno deveria ser identificado.
Mesmo com essa dificuldade, o sistema de representação
de interesses vai modernizando-se e as empresas e entidades
de classe hoje constróem canais de comunicação
sérios, com distintas instâncias do poder.
Como ele é desenvolvido no Primeiro Mundo?
O lobby no Primeiro Mundo não é perfeito, e
é assunto de muita discussão. Existe uma tendência,
no Brasil, de acreditar que essa atividade, "lá
fora", é sempre bem-vista. Mas, em geral, existem
regras mais claras para impor uma atividade mais transparente.
E mais, as consequências para quem violar as regras
são maiores. Isso permite que a atividade seja mais
"aceita". Agora, também existe muita crítica
ao fato de que o lobby está intrinsecamente ligado
a contribuições para campanhas políticas
(aliás, também uma atividade lícita e
regulamentada), e que o poder e dinheiro têm o efeito
de distorcer a representatividade e decisões do poder.
Qual o perfil profissional mais indicado para atuar
numa agência de Comunicação?
Entre nossos 1.700 colaboradores, nós temos todo perfil
imaginável. Advogados, médicos, jornalistas,
administradores, publicitários, ex funcionários
públicos (como eu!), entre outros. É uma experiência
muito rica trabalhar com visões distintas e diversas.
Mais importante que o perfil profissional, é a capacidade
de poder construir comunicação e argumentação
que seja clara, séria, impactante e eficaz - tanto
na redação como na apresentação.
A isto se deveria juntar conhecimento profundo do mundo empresarial,
econômico e político. Ajuda muito a experiência
e o conhecimento de um setor empresarial ou industrial. Finalmente,
para nós, importa domínio do inglês e
uma terceira língua.
Como as empresas de Comunicação podem
contribuir com os veículos de comunicação?
Primeiramente, nosso dever é com os nossos clientes,
bem antes dos veículos de comunicação
ou qualquer outra entidade. Ao construir relações
de credibilidade com a mídia, e fornecer informações
sérias e fundamentadas, nós o fazemos em benefício
de nossos clientes. Mas isso também contribui com a
qualidade do jornalismo no país. Suponho que esta seja
nossa contribuição aos veículos. |