O QUE VOCÊ FAZ POR SUA EMPRESA?
Por Kátia Cubel
(Artigo publicado na revista Fecomércio, edição
92, agosto de 2004)
Outro dia, tive o prazer de compartilhar a mesa com um grande
empresário de Brasília. Ele é batalhador,
dirige uma grande empresa (cuja marca, conhecida e respeitada
até em outras capitais, preservaremos aqui) e trabalha
duro, todos os dias. Entrou no mercado há quase duas
décadas, quando a concorrência, na Capital do
país, ainda era escassa em todos os segmentos. A certa
altura, durante o almoço, o empresário começou
a reclamar do tratamento que a Imprensa lhe dispensa. Afinal,
ele é líder em seu segmento, alcançou
êxito e prosperidade, e os jornalistas, principalmente
estes, insistem em não enxergá-lo como ele próprio
se vê. Naquele momento, tive a impressão de que
ele nutre quase um ressentimento, uma indignação,
por não ser espontaneamente reconhecido e reverenciado
por seus méritos, legítimos, no dia-dia de sua
organização.
Durante a sobremesa, lembrei-me do dito popular "todo
mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer".
Imediatamente o questionei. "Mas o que você faz
para comunicar ao mercado seus diferenciais e sua posição
de liderança?", indaguei. Hoje, é como
se ele estivesse num quarto escuro -- não acende a
luz e quer ser notado mesmo assim. Segundo Philip Kotler,
guru do marketing contemporâneo, imagem é o conjunto
de crenças, idéias e impressões que uma
pessoa tem em relação a um objeto. Cada um de
nós é bombardeado com 1,6 mil mensagens comerciais
por dia. Apenas 80 são percebidas conscientemente,
e só doze nos provocam alguma reação.
Mesmo assim, há empresários que hesitam em investir
na própria imagem. De novo: querem ir para o céu,
mas não querem morrer.
Felizmente, num universo rico em opções de
consumo, já dispomos de muitas ferramentas de comunicação
para destacar marcas, produtos, empresas e reputações.
Imagine a comunicação empresarial como um polvo,
cheio de tentáculos. Cada tentáculo é
uma alternativa que pode alavancar prosperidade e amenizar
riscos de insucesso. O mercado publicitário já
tem seu mérito reconhecido. E se não valesse
a pena investir nele, a marca mais conhecida do planeta, a
Coca-Cola, não gastaria milhões de dólares,
ano após ano, em propaganda. Procure se familiarizar
também com as novas ferramentas, usando-as a seu favor:
relacionamento com a imprensa, revista ou jornal da empresa,
comunicação interna (transforme seus funcionários
e parceiros em difusores do seu negócio), home-page,
projetos de comunicação dirigida e um bom planejamento
de marketing. É mais viável investir energia
em buscar oportunidades do que em enfrentar ameaças.
É seu dever de casa, empresário, comunicar-se.
Como se sente em relação ao reconhecimento que
desperta no mercado? Sua reputação é
compatível com suas expectativas sobre ela? Assuma
o papel de protagonista na construção de sua
própria imagem. Primeiro, simule uma crise existencial
em sua pessoa jurídica: quem sou eu? E prossiga: O
que quero contar sobre o meu negócio, a quem vou dirigir
essa mensagem e que reações pretendo despertar
com isso? Como você quer ser percebido? Você pode
ser o melhor, mas só vai sobreviver se se permitir
contar isso para as pessoas. Seu concorrente – e hoje
ele já existe na economia de Brasília, em todos
os segmentos -- pode não ser tão bom quanto
você. Mas se ele conta quem é e se valoriza perante
o consumidor, vai te colocar no bolso.
Invista em fortalecer sua marca, produtos e serviços.
Não se enrede pela vaidade, promovendo a si mesmo.
Valorize-se, sim, associando sua imagem pessoal à produtividade,
credibilidade, sucesso profissional, alta performance nos
negócios. Pavimente seu caminho com valor agregado
e respeito pelo cliente e pelas atividades que desenvolve.
O melhor do reconhecimento é transformá-lo numa
alavanca para bons negócios. É comum ao empresário
brasileiro gabar-se do que já conquistou. O mais importante
é avaliar o que você está deixando de
ganhar, onde está perdendo. O comodismo, a omissão,
a desinformação corroem silenciosamente faturamento,
margem de lucro e fatias do bolo chamado mercado. Acorde,
amigo leitor. Mostre que você está no mercado,
e vai continuar, por competência, e não por falta
de concorrência.
*Jornalista e empresária, com cursos de extensão
em Comunicação Empresarial e Marketing de Serviços
pela Fundação Getúlio Vargas, dirige
há oito anos a Engenho Criatividade & Comunicação. |